terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Do Pensamento ao Comportamento ( I )

“Como fazes aquilo que fazes?” “Como podes fazer aquilo que realmente queres fazer?”


“Sim, tudo me correu bem. Senti-me sempre muito confiante…”
“Sim, é verdade que falhei. Nesse momento, senti demasiada ansiedade…”

Quantas vezes já ouviste afirmações iguais ou similares?
A diferença, está no Estado Neurofisiológico, com que essas pessoas abordam as situações. Quem terá criado (gerado) esses sentimentos nessas pessoas? Os próprios, claro - produziram esses estados dentro deles.

"É a mente que oferece a felicidade ou a infelicidade"

“O resultado final de um conjunto de respostas desencadeadas por partes do corpo humano ou do cérebro, e mesmo entre diferentes partes do cérebro, através das redes neuronais e hormonais é o Estado Emocional - definido pelas alterações de determinadas propriedades do corpo humano e em certas zonas do cérebro”. António Damásio

Existem estados potenciadores e estados limitadores!
A confiança, o amor, a força interior, a alegria, a crença possibilitadora, a autoconfiança o entusiasmo…estão englobados no primeiro parâmetro. O medo, a depressão, a ansiedade, o conflito interno, a crença limitadora, a tristeza, a frustração…no segundo.

Compreender como potenciamos em nós próprios, ou nos outros, esses sentimentos, é o segredo para a correta gestão dos mesmos e, ainda mais importante, a chave para compreender a forma como podemos aceder a certos comportamentos, que facilitem a consecução dos resultados que pretendemos atingir.

Nota - Defino, neste contexto, Comportamento de uma forma extremamente simples e ao mesmo tempo bem abrangente: “aquilo que fazemos”, em que a abrangência está no verbo fazer, aqui aplicado de forma a incluir tudo o que passível de ser percepcionado pelos outros – o movimento do corpo, o tom de voz utilizado na comunicação, as expressões faciais, as acções e as reações…etc


Fazemos o que fazemos, em função do Estado Dominante nesse momento!
Por outras palavras, é o Estado que dá origem ao Comportamento, mesmo tendo em conta que a maioria dos nossos estados acontece a nível inconsciente  (sem qualquer ordem consciente da nossa parte) - Acontece algo e reagimos a esse acontecimento entrando num determinado estado!

 "O nosso Comportamento é o resultado do Estado Emocional em que estamos"

Quão importantes são os Comportamentos na tua vida?
 - É através dos comportamentos que interages com os outros; é ao nível dos comportamentos que as mudanças acontecem.
                                        
“Qual o sentimento, a que posso aceder agora, para facilitar a alteração deste comportamento?” - é a questão que deves colocar a ti próprio

 - Agora que já sabes “como fazes aquilo que fazes” - como fazes os teus Comportamentos - notas certamente, que ainda falta um elemento que promova ou potencie este ou aquele sentimento.
Esse elemento é justamente o Pensamento (organização da transmissão de informação entre os neurónios),  e ainda a Fisiologia (forma como utilizamos o nosso corpo), e que cria um poderoso impacto na forma como nos sentimos.

“O antepassado de todas as acções é um pensamento” – Ralph Waldo Emerson

Os pensamentos podem acontecer a nível consciente, ou inconsciente. Os que acontecem a nível consciente são aqueles normalmente denominados como “discurso interno” e aos quais prestamos atenção. Os inconscientes, que acontecem em muito maior número, são todos aqueles a que não prestamos atenção.

Quando temos um pensamento, em função do seu significado e da sua intensidade (tempo que o mantemos ativo), e também através da repetição, aprofundamento e extensão sensorial que lhe damos – envolvimento dos sentidos -  geramos uma resposta emocional. A conjugação das várias respostas emocionais que acontecem, no sistema neuronal, em todos os momentos da vida, é que geram o Estado Emocional dominante.


Quando alteramos o nosso pensamento, alteramos o nosso sentimento

Portanto, o que realmente está na génese dos resultados que alcanças, são os teus pensamentos e/ou a tua fisiologia, pois é dessa forma que crias os sentimentos que, por sua vez, potenciam os comportamentos.

 - Para que melhor compreendas a importância do impacto da fisiologia na forma como te sentes em certos momentos, proponho-te um ligeiro exercício:
Antes de entrares em competição, querendo estar a um nível elevado, presta atenção à forma como estás a usar o teu corpo: inspira profundamente e enche o peito de ar, levanta os ombros endireitando ao mesmo tempo o pescoço, colocando uma certa tensão muscular nessa zona; inspira com força pelo nariz e ao mesmo tempo vai cerrando e relaxando os punhos algumas vezes.
Como te sentes? O que vais fazer?

Encontrando as melhores respostas para a pergunta: “como faço aquilo que faço?”, podes, depois, encontrar também as tuas melhores respostas, para a pergunta que se segue; “como posso fazer, aquilo que realmente quero fazer? “

Relembro que, todos nós fazemos o melhor que conseguimos fazer com os recursos que temos disponíveis, e que as pessoas são muito mais que os seus comportamentos.

Todos nós acedemos a certos comportamentos, que estão longe de definir aquilo que somos como pessoa.

 

Importante - Nós não somos, a tempo inteiro, pessoas confiantes, ansiosos, tranquilas ou nervosas…Somos pessoas que por vezes, estamos confiantes e outras vezes, podemos estar ansiosos.

Como treinador, como pai, como líder, como ser humano, aceita a pessoa e influencia o comportamento!

E como posso alterar os meus pensamentos? Fica atento às publicações deste blog, porque em breve, iremos explorar esse tema.

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