Preparar para Vencer
Acredito, que tal como
eu, também você, sente um “arrepio na espinha” quando ouve o hino nacional
antes de uma competição, ou mesmo na atribuição de medalhas quando a bandeira
portuguesa é erguida no mastro principal. Vou um pouco mais longe atrevendo-me
a pensar que, basta, nesse contexto, ver a bandeira nacional a subir e de
imediato experimenta sensações e emoções poderosas que representam o que sente
em relação ao seu país.
Agora que pensa nisso,
não acha estranho? Afinal é só um pedaço de tecido com um certo padrão
decorativo, parecido com tantos tecidos que já viu, que porventura representavam
outros países e que, no entanto, não fizeram despertar em si esses mesmos
sentimentos.
A resposta é que os
sentimentos que experimentou foram especificamente ligados às cores e ao padrão
de uma certa bandeira, não a todas as bandeiras, a um hino, não a todos os
hinos!
Esse estímulo sensorial
associado a um conjunto específico de estados, é na PNL (programação
neurolinguística) denominado como uma ÂNCORA – um conjunto de estímulos
externos existentes, capazes de activar hábitos ou comportamentos.
Uma âncora não é mais do
que um estímulo específico e suficientemente poderoso para potenciar um certo
estado
Ancorar é a forma de dar
permanência a uma experiência.
Pela descrição,
tornando-se mais atento a esta realidade, será fácil concluir que,
inconscientemente, possuímos muitas dessas âncoras e que constantemente estamos
a ser “ancorados”. Consegue, agora, de forma consciente, aperceber-se e o
porquê de algumas fotos o fazerem sorrir? De uma certa música fazer despertar
em si sentimentos muito particulares? De ver uma certa pessoa e sentir-se, de
imediato, mais ou menos nervoso? De relembrar mais assiduamente algum tipo de
publicidade que viu; De certas situações o deixarem mais ou menos confortável,
sem saber exactamente a razão para que tal aconteça? etc
Tudo isto para chegar à
conclusão, que assim como temos muitas âncoras instaladas de forma
inconsciente, que também de forma
consciente, podemos instalar nova âncoras que nos permitam quase
instantaneamente aceder a certos estados, potenciadores de resultados diversos.
Vou mais longe dizendo
que as técnicas e as ferramentas de ancoragem que a PNL nos concede, são a
forma mais eficaz para canalizar construtivamente as nossas reações
inconscientes, de forma estarem sempre à nossa disposição.
As
âncoras são um conceito simples e, como atleta, elas são extremamente poderosas
para explorar sua mentalidade vencedora quando se trata do tempo de entrar em
jogo (competição).
Com uma
âncora suficientemente forte, você pode aceder facilmente a qualquer estado que
pretenda.
“Quando
num certo momento, uma pessoa se associa a um determinado Estado Intenso, e no
pico dessa experiência é aplicado um estímulo específico, ambos ficarão ligados
neurologicamente. A Ancoragem permite aceder a Estados passados e ligar esse
Estado ao presente e ao futuro”
Quer estar ainda mais preparado, para alcançar
os resultados que quer realmente alcançar, potenciando em si um poderoso estado
de autoconfiança?
Se sim, faça e teste o
exercício que se segue
Regras para a ancoragem:
a) Para
uma âncora ser eficaz, tem que estar num Estado (emocional, neuro fisiológico…)
completamente associado e congruente,e com todo o corpo completamente
envolvido.
Quanto mais intenso for
o estado, mais fácil é ancorar e mais tempo a âncora perdudará.
b) O estímulo é fornecido no auge da experiência
Esteja atento à sua fisiologia, e às suas
sensações, para melhor se aperceber do pico máximo da experiência
c) Deve escolher um estímulo exclusivo
É essencial que a âncora
forneça um sinal claro e inconfundível ao cérebro
d) Para um melhor funcionamento da âncora, tem que
replicá-la com exactidão.
Se, no auge da experiência, por exemplo, ouvir
uma música específica e/ou cerrar o punho de uma forma muito característica,
não pode voltar a despoletar essa âncora, ouvindo uma música diferente ou
cerrar o punho de forma diferente.
Exercício
de ancoragem:
Nota - Tenha consigo, neste caso particular,
algum tipo de aparelho (phones, telemóvel…) que possa reproduzir uma música
específica, escolhida por si.
1 - Levante-se e recorde, de forma intensa, uma
ocasião (experiência) em que tenha estado extremamente confiante, em que sabia
ser capaz de fazer e realizar o que quisesse.
2 - Adapte a sua postura corporal, a sua
fisiologia, até que a mesma seja exactamente igual à do momento em que estava
completamente confiante - posição dos ombros; posição da cabeça; posição dos
braços; posição das pernas…
Respire da mesma forma que respirava, nesse momento – mais ou menos intensamente; mais ou menos profundamente; pelo peito, pelo diafragma…
Reveja exactamente o que viu nessa experiência
Ouça o que ouviu durante essa experiência
Sinta o que sentiu nesse momento
3 - Quando sentir que está no pico mais elevado da
experiência coloque a música selecionada a tocar e ao mesmo tempo cerre o punho
(direito ou esquerdo) de uma forma muito específica. Por exemplo: com o polegar
para dentro; com o polegar para dentro e o dedo mindinho esticado, ou de outra
forma particular que eleja, tendo apenas o cuidado para não escolher um gesto
que normalmente faça. Dizendo de outra forma; um gesto que sirva exclusivamente
para despoletar esta âncora específica.
4 - Após a colocação destas âncoras em simultâneo,
quebre o Estado desligando a música, colocando as mãos numa posição normal, desligando-se
da experiência para assim aceder a outro qualquer estado. Talvez caminhando um
pouco, falar com outras pessoas, fazer o que estava a fazer antes de iniciar o
processo, prestar atenção a qualquer outra coisa etc…
5 - Passado algum tempo – minutos, horas – teste
a(s) âncora(s), em conjunto ou separadas, evocando o Estado pretendido.
Nota
– É importante testar as âncora também separadamente, para a eventualidade de,
estando em competição, não ter acesso à música elegida.
Repita o exercício as vezes que necessário, até
obter o resultado que pretende.
O processo de ancoragem pode ser usado em
qualquer outro contexto da sua vida que não somente no contexto do desporto,
por isso…
No Desporto e na Vida



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