sábado, 24 de fevereiro de 2018

A Sorte e o Azar

Bola ao poste; uma questão de pontaria?


- “O encontro da preparação com a oportunidade gera o rebento a que, normalmente, chamamos sorte”
 
Extremando e ironizando um pouco no conteúdo inicial deste artigo, começo por dizer que, por vezes, gosto de pensar que uma bola ao poste não tem nada a ver com “azar” ou com “sorte”, sendo mais uma questão de pontaria!

No mundo do desporto exigem certas crenças, bastante enraizadas, que tendem a responsabilizar a “pata do coelho” ou o “gato preto”, e mesmo certos factores “mágicos” ou “esotéricos”, para justificar alguns resultados.

Culpar a sorte ou o azar – além de outras coisas mais - é, em primeiro lugar, um argumento (desculpa?) que em certas ocasiões faz muito jeito usar, a fim de não assacar ou minimizar as responsabilidades próprias sobre o que
aconteceu, ou está a acontecer, servindo inclusivamente como paliativo para a dor.


Só que um paliativo, não passa disso mesmo…um paliativo; recurso para atenuar um mal ou adiar uma crise.

Desculpas que aliviam a dor e que dificilmente “atacam” a verdadeira causa de um desempenho menos conseguido e/ou de uma qualquer situação incómoda provocada pelo mesmo.

Culpa-se a pata do pobre coelho ou usa-se a cor do gato e…vira-se a página.

No desporto hipercompetitivo e profissionalizado destes novos tempos, tem todo o fundamento a expressão:
“Quanto mais treino e mais trabalho durante a competição, mais sorte tenho!”

Em suma:
Sou eu que, direta ou indiretamente, vou para o jogo. Verdade?
Então qual a necessidade de me desculpar com algo, eventualmente fortuito, mágico e/ou esotérico - “estranho” a mim - para justificar algo que não correu como eu desejava?

O desporto está muito longe de ser um jogo de sorte e azar.
Quanto melhor me preparar mais hipóteses tenho de alcançar bons resultados!
Se algo não corre como desejo, se o resultado não for aquele que pretendo, terei que analisar as razões para que tal tenha acontecido, como forma de aprender a fazer diferente numa próxima vez.

Escamotear ou entrar em negação sobre os nossos próprios erros, relegando para “terceiros” a responsabilidade da maioria das coisas menos boas que acontecem é, a meu ver, uma das formas mais eficazes para… continuar a cometer os mesmos erros.
 - Se algo não corre como desejas, em vez de te refugiares em “forças estranhas” para justificar esse facto, foca-te no que estás a fazer bem e no que estás a fazer menos bem, até encontrares a melhor forma para, no futuro, fazeres diferente, potenciando assim o teu crescimento.

Depende essencialmente de ti.
No DESPORTO e na VIDA

- Sorte e azar existem, mas as causas e circunstâncias que disparam esses eventos e os mecanismos como se processam são absolutamente desconhecidos
 - Há que se distinguir o que é "sorte" ou "azar" daquilo que é provocado pela lei da causalidade e/ou do imponderável. Se é rotineiro, e conforme sejam as consequências positivas ou negativas, pode-se dizer que é "sorte" ou "azar", desde que "independa" das acções do agente.
 - O imponderável (tomado como substantivo e em seu sentido figurado) existe e pode ser definido como aquilo que não se pode medir, avaliar ou prever, podendo acontecer em qualquer momento e em qualquer lugar, sem causas aparentes ou por causas desconhecidas. Nada se pode fazer para evita-lo.

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